BB: GREVE DEVE CHEGAR AO FIM

 

Colega da Ativa,

Chegamos ao limite das nossas forças.

Sustentamos um mês de paralisação e devemos reconhecer que estamos exaustos fisicamente, abalados psicologicamente, mas continuamos intactos moralmente.

Enfrentamos de peito aberto, olhando nos olhos o inimigo, o maior poder que este planeta conhece, o poder financeiro internacional, que coloca na sua linha de frente os paus mandados do FMI, do Banco Mundial e dos ministérios econômicos da maioria dos governos do terceiro mundo, com a sua indispensável pelegagem sindicalista.

Enfrentamos dignamente, com as armas da não-obediência e da não-colaboração, contrariamos o governo mundial e seus interresses no Brasil.

Nós, os miserabilizados bancários federais brasileiros e uns poucos colegas de bancos privados, de bolsos vazios e corações cheios de generosidade,  atrapalhamos por 30 dias a vontade e os desejos genocidas da maior força que este planeta conhece, que derrubou pela corrupção a cortina de ferro, empobreceu o leste europeu, conquista a China pela economia semi-escravizada e mantém exércitos oprimindo os povos do Haiti, Granada, Afeganistão e Iraque. entre outros do terceiro mundo.

E podemos atrapalhá-los ainda muito mais. E vamos atrapalhá-los.

Mas antes precisamos reagrupar nossas forças, avaliar nossa estratégia e decidir as novas táticas para os próximos movimentos que certamente começarão no primeiro dia após a formalidade, previsível agora, do nosso novo achatamento salarial pelo TST, que, encurralados, fomos obrigados a recorrer, em defesa da nossa dignidade, que esta não tem preço.

É o momento de irmos às nossas assembléias, discutir as nossas questões, fazer as nossas propostas, eliminar as nossas dúvidas e votar o retorno ao trabalho, organizadamente, pois daqui para frente tudo o que fizermos terá que ser assim, muito discutido, e muito  organizadamente.

Proponho que façamos a volta ao trabalho em duas etapas distintas.

Amanhã, com as agências e dependências fechadas, para arrumar o que for possível - atenção: apenas e tão somente no horário normal de expediente (hora extra tem que ser registrada e paga !) - preparando a reabertura ao público e à demanda interna.

Segunda-feira, reabertura ao público e volta à normalidade.

 

E O SONHO, ACABOU ?
 


Não, mas o pesadêlo dos banqueiros, do governo e dos seus "papagaios de pirata" mal começou.

Para os banqueiros - e o BB e a CEF hoje não são em nada diferentes - devemos apenas trabalhar proporcionalmente ao quanto nos pagam. Nada de cumprimento de metas, de vendas e de produtividade. Isto só serve para alavancar as carreiras dos paus-mandados que mostram serviço às custas do nosso sacrifício.

Salarialmente falando, hoje temos uma defasagem salarial de 101%.
Isto significa que estamos recebendo apenas 50,5% do que deveríamos receber.

Por isso, devemos empregar apenas metade da nossa capacidade de trabalho no banco. A  outra metade o banco só receberá quando nós recebermos a defasagem que nos deve. Não podemos fazer nenhum esforço, total ou adicional, gratuito. Apenas parcial, 50%. E hora extra, só se registrada e paga.

Uma das nossas grandes vitórias foi a descoberta por muitos dos grupos de discussão por internet. Já possuímos também a RedeBB da Dignidade chegando aos três poderes da República e à pelegagem do Executivo.

Podemos denunciar, instantaneamente aos sindicatos confiáveis, e na ausência destes ao Ministério Público do Trabalho, as pressões e outras safadezas que paus-mandados fisiologistas comissionados certamente tentarão nos aplicar para tentarem recuperar os prejuízos dos trinta dias da greve e assim azeitarem suas coniventes carreiras.

Vamos usar a denúncia como contra-pressão.

Veículos para isso já temos. E isso pode ser feito mantendo o anonimato dos denunciantes, portanto, sem riscos.

Esta é uma das nossas vitórias. Quando um povo começa a pensar...

Mas não podemos deixar, em hipótese alguma, de nos vingar do governo, até porque ajudamos a elegê-lo. Como diz a piada., a tartaruga está em cima do poste porque alguém a colocou lá. Sozinha não subia. E como tartaruga não faz nada em cima de poste, devemos retirá-la de lá.

Quem ainda é petista ou de partido da base de apoio ao governo Lula, a primeira providência é desfiliar-se, formalmente, do partido, especificando que foi traído por um governo safado que apresentou um programa de governo durante 20 anos e no poder cumpriu - ou apoiou - outro, completamente diferente, oposto, anti-nacionalista e lesivo ao povo trabalhador brasileiro.

MAS E O SONHO, ACABOU ?

Repito que não. A segunda providência é uma sugestão que pode resgatar o sonho. É apenas para quem ainda não perdeu a esperança e pretende fazer política partidária. Filiar-se ao PSOL e ajudar a construir um novo partido, com as tradicionais bandeiras de luta da esquerda de todos os tempos e sem a aplastante ditadura estalinista do inadmissível  "centralismo democrático".

Sugiro, inclusive, aos militantes de outros partidos de esquerda que tenham como norma de decisão o "centralismo democrático", que também venham ajudar a compor o PSOL, com socialismo e liberdade.

Se houver a união da esquerda num único partido, em menos de seis anos poderemos conquistar o poder no Brasil e, finalmente, fazer a revolução social que mudará o destino do povo trabalhador brasileiro.

Quanto aos sete judas da CNB-CUT, estão localizados, identificados e "marcados para morrer". Tem que ficar sem poder algum, voltar a trabalhar nos bancos, na companhia dos colegas que eles trairam. Isso pode ser conseguido, vamos tirá-los das direções dos sindicatos que dirigem, ou melhor, dos sindicatos onde negociam seus interesses pessoais. Nossa missão, na base de cada um desses sindicatos, é expulsá-los do poder e não permitir que assemelhados os substituam.

O mesmo vale para sua pelegagem menor, precisamos descê-los do poder, denunciar suas tentativas de refluxo - certamente vão tentar nos seduzir de novo - e eleger as nossas novas lideranças, comprometidas com os interesses das bases. Elas estão aí, visíveis, emergiram com esta greve.

Para conseguirmos tais objetivos, volto a enfatizar que precisaremos de máxima união nas bases, e isso só será possível se pudermos falar uma linguagem única. Insisto no que acabo de dizer: a união só será possível se falarmos uma linguagem única. Nela conseguiremos definir nossos objetivos, organizadamente e tomar o poder nos sindicatos.

Como veículos para a  discussão dessa linguagem única e a definição dos objetivos, já contamos com os grupos de discussão informatizada, dos quais cito alguns, OPOSIÇÃO BANCÁRIA, MRBANCÁRIA, ANALISTABB, APOSENTADOSBB, BANCODOBRASIL, ETC..

De nossa parte, da RedeBB da Dignidade com seus milhares de correspondentes, acompanharemos essas discussões, participaremos se acharmos necessário, divulgaremos nacionalmente os assuntos mais relevantes, principalmente para os colegas aposentados e também os da ativa não filiados aos grupos de discussão, fazendo que mantenham-se informados sobre o que está acontecendo e possam prestar seu indispensável apoio nas horas decisivas.

Mas para que isso aconteça é preciso que certas pessoas, que pretendem-se líderes, e procedem como se o fossem, abandonem a idéia paranóica de só querer discutir nossos assuntos entre os "iluminados donos da única verdade", a deles, naturalmente.

Aos que não tem a coragem para vir à discussão pública e nacional com a cara lavada e o coração aberto, aos que não tem a confiança para considerar todo e qualquer colega como um seu igual, ouvindo-o e debatendo suas idéias, a estes recomendo o sossego dos seus lares, os atrativos das suas carreiras e a confiabilidade da sua família e círculos de amigos.

Os que vierem às redes, aos grupos de discussão, por favor, não cheguem com vinhetas paranóicas do tipo "não autorizada replicação". Uma vez ou outra, tudo bem, com as devidas explicações bem arrazoadas, explicadinhas, pois, às vezes, extraordinariamente, pode mostrar-se necessária uma certa sigilosidade, mas sistematimente é inadmissível e contraproducente.

Os grupos de discussão, e também a RedeBB da Dignidade, foram criados para que as informações sejam debatidas e os debates sejam conhecidos por todos. Se esses "iluminados" quiserem discutir somente entre eles, que o façam particularmente, pois sempre podem usar o telefone, ou a mensagem fora do grupo. E devem ! E discutam até o anjo mostrar o sexo. Mas, entrando na rede dos grupos de discussão, respeitem os que se julgam apenas cidadãos normais e querem liberdade sem paranóia para discutir as questões do seu interesse.

Coloco esses pensamentos para ti, colega, que é quem vai decidir e compor a decisão do conjunto. Como é do meu costumo, faço essa proposta abertamente, ponho a minha assinatura embaixo e assumo a responsabilidade pelo que publico. E publico para todos, mesmo que seja redundância. Como democrata espero pela discusão e aceito a decisão da maioria, mas preservando os direitos da minoria.

Finalizando, quero voltar ao assunto do TST, discutido dias atrás. O TST não é solução para o nosso problema econômico. Nele, como na maioria das vezes em que recorremos, vamos ser derrotados economicamente. Sabiamos disso desta vez, apesar de alguma esperança inicial, já frustrada na reunião de conciliação, pela proposta do seu presidente e a pelegueada do Lourenço do Prado da CONTEC, que tão logo pode, rebaixou nossa proposta de 25% para a da FENABAN mais 1% e uns penduricalosinhos. Nenhuma esperança...

Esta derrota economica apenas vai ser confirmada pela suprema corte trabalhista, nomeada por governos dóceis ao capitalismo apátrida. A verdade é que  já estávamos derrotados economicamente em meados de agosto, quando os sete judas da CNB-CUT, a mando da pelegagem do FMI encastelada nos ministérios econômicos e nos bancos internacionais, acordou decidir que nos daria apenas um reajuste entre 8,5 e 12,5%.

Nada devemos esperar nada além disso. E poderemos até receber aquém disso, pois a maldade não tem limites para banqueiro.

Em Congresso nacional afirmamos nossa dignidade ao aprovar um reajuste mínimo, piso, de 25%. Por isso sempre contestei a visão dos "iluminados" de última hora, com sua tola ingenuidade de que, ao rebaixarmos nossa proposta para 19% iríamos comover o TST. Comover o TST, veja só...

Quase colocaram nossa vitória moral na lata do lixo

Veja de onde surgiu essa proposta de rebaixar para 19%. De São Paulo. Só podia ser... A CNB-CUT também fica lá. A sede da Articulação do PT também. A direção nacional do PT e do PSDB também. As eleições na CASSi e na PREVI sempre são decididas em São Paulo, contra o resto do Brasil, que quer mandar os fisiologistas sindicais para o olho da rua. Acho que já está mais do que na hora da base paulista perguntar-se: POR QUÊ ?!!!


Nosso próximo assunto: UNAMIBB, já nos próximos dias. Aguarda.

Um forte abraço fraternal do

Zilton Tadeu, o Mensageiro