Serviço
Esperança para a diabete
Publicado em 20.02.2006, às 12h51

Cinthya Leite
De Suplementos/JC

Embora ainda não tenha sido descoberta a cura para a diabete, a medicina já tem travado o início de uma revolução capaz de melhorar a qualidade de vida dos portadores. As terapias de hoje (alimentação sem rigidez, insulina que requer apenas uma aplicação diária, versão inalável desse hormônio e medicamentos orais com melhor monitoramento) são um grande achado para o mal ser enfrentado sem drama. O portador, então, já pode levar uma vida normal como qualquer outro indivíduo sem o problema.

O entrave é que a doença, causada pelo excesso de açúcar no sangue, tem assumido proporções epidêmicas em todo o mundo porque a população ignora meios preventivos. Principalmente quando vem à tona a diabete tipo 2, que atinge 90% dos portadores do mal. Os outros 10% são pacientes com diabete tipo 1, versão mais agressiva (desenvolve-se sem relação direta com estilo de vida inadequado) que se manifesta geralmente na fase infanto-juvenil e leva o sistema imunológico a destruir as células pancreáticas produtoras de insulina, hormônio que retira a glicose (tipo de açúcar que serve de combustível para os mais de 100 trilhões de células do corpo humano) extra do sangue.

Os números (a doença atinge 15 milhões de brasileiros e 170 milhões de pessoas no mundo. Sem falar que, em 2030, 370 milhões de indivíduos devem ter o problema) assustam a comunidade médica porque a diabete é fatal quando não controlada. “Quatro de cada cinco diabéticos morrerão; não devido ao mal em si, mas das doenças cardiovasculares (ataques cardíacos e acidente vascular cerebral, por exemplo) provocadas por ele”, alerta o médico Ray Strand, que ainda chama a atenção pelo fato de a diabete ser a principal causa de amputações e cegueira.

De acordo com o presidente do grupo de trabalho em negócios da saúde, da Federação Internacional de Diabetes (IDF), Jonathan Brown, o caminho para combater o avanço da doença e, conseqüentemente, os custos, é promover uma ação educativa em torno dos riscos de se tornar diabético. "A população precisa se conscientizar de que existe uma alternativa de não desenvolver a doença, que é igual ao caminho da cura da diabete tipo 2. Trata-se do controle do sobrepeso e da freqüência em fazer exercícios”, informa Jonathan Brown.

ESTILO DE VIDA – Sim, cuidar da alimentação e ser adepto à atividade física (bastam apenas 30 minutos durante cinco dias por semana) é essencial para se ver livre da epidemia. Algumas pessoas com diabete tipo 2 só precisam ser disciplinadas para manter os níveis de açúcar dentro da faixa de normalidade. “Quando os pacientes mantêm as taxas controladas, é possível evitar as ocorrências como problemas cardíacos, derrames, ataques cardíacos, falência renal e amputações”, salienta a Kaye Foster-Powell, que explica, no livro A nova revolução da glicose (Ed. Campus) por que se desenvolve a diabete.

“A ingestão constante de alimentos com alto teor de açúcar obriga o organismo a produzir freneticamente uma grande quantidade de insulina para manter sob controle os níveis de açúcar no sangue", explica Kaye. É desenvolvido, assim, um esgotamento do suprimento de insulina do organismo, o que leva à diabete.

Em miúdos, significa dizer que a doença se caracteriza por um defeito no metabolismo da glicose, que só entra nas células para fornecer energia necessária para a manutenção da boa saúde se houver o hormônio insulina. Na falta completa ou parcial dele, a glicose fica concentrada no sangue. Instala-se, então, o mal, que contribui para os danos aos vasos sanguíneos do coração, das pernas e do cérebro.

Os estudos clínicos mais atuais, inclusive, comprovam estreita relação entre a diabete e as doenças cardiovasculares. “No momento em que o problema é diagnosticado, mais de 60% dos pacientes já têm alguma grave patologia coronariana”, afirma Ray Strand. É que o açúcar em demasia é uma bomba e tanto para o funcionamento geral dos órgãos.

A explicação é que, em excesso, provoca processos inflamatórios generalizado nos vasos sanguíneos. “São complicações que levam a amputações dos membros, insuficiência renal, infarto, frigidez e impotência”, diz o endocrinologista Alexandre Caldas. No tipo 1, esses sintomas aparecem abruptamente, enquanto que, no 2, os sinais são leves (fator que impede a percepção da doença na fase inicial, o que diminuem as chances de controle da epidemia) e aparecem quando nem mesmo a medicação é capaz de combater o problema.