Em anúncio tumultuado, Caixa reduz taxa de juros


A Caixa Econômica Federal se antecipou à reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e anunciou que baixará as taxas de juros cobradas da população em várias operações de crédito. Apesar de positiva, a notícia causou estresse no governo, a ponto de a Caixa ter tentado evitar a divulgação da medida. A alegação foi a de que o BC teria criticado o fato de a instituição cravar que o corte da taxa básica (Selic), a ser anunciada na próxima quarta-feira, será de 0,75 ponto percentual. O BC negou veementemente qualquer reprimenda à Caixa.

Confusões à parte, o vice-presidente de Crédito da Caixa, Francisco Egidio Pelúcio, afirmou que, por ter um lado social muito forte, o banco tem de forçar a concorrência a jogar os juros para baixo, de forma a incentivar o crescimento econômico. Desde setembro, quando o BC passou a reduzir a Selic, na média, os bancos subiram os juros cobrados dos consumidores para aumentar seus lucros. “É papel da Caixa, como de outros grandes bancos, induzir o comportamento do mercado”, afirmou. Ele ressaltou que as novas taxas passarão a vigorar a partir de segunda-feira.

No cheque especial, a taxa máxima recuará de 7,95% para 7,20% ao mês. No crédito direto ao consumidor (CDC), os juros máximos passarão de 5,22% para 5,06%. No cartão de crédito, a modalidade de financiamento mais cara do mercado, a taxa máxima cairá 10,80% para 10,30% ao mês.

Fonte: Correio Braziliense - Vicente Nunes - 03.03.2006, 11h03