Bancários de São Paulo vão para 22º dia de greve - 06/10/2004

    Apesar do frio e da garoa fina, cerca de mil bancários acompanharam a passeata que percorreu as ruas do centro velho de São Paulo e terminou com protesto em frente à sede da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), na rua Líbero Badaró. A passeata deveria seguir até a sede do Ministério da Fazenda em São Paulo, mas o percurso foi alterado em função do mau tempo.

    A categoria fez assembléia antes da passeata e decidiu permanecer em greve. O movimento entra hoje (6/10) no 22º dia, quando acontece mais uma assembléia, às 16h, na quadra (rua Tabatingüera, 192, Sé).

    Em Brasília - O presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, em reunião, nesta terça-feira, com a Executiva Nacional dos Bancários, afirmou que vai interceder junto às direções do Banco do Brasil, da Caixa Econômica Federal e junto ao presidente da Fenaban, Márcio Cypriano, reforçando a necessidade de reabertura das negociações.

    Pela manhã, a Executiva dos Bancários reuniu-se com a diretora de Recursos Humanos da Caixa Econômica Federal, Diva de Souza Dias, e solicitou a reabertura de negociações sobre questões específicas dos funcionários deste banco e a intervenção, junto à Fenaban, para a retomada do processo de negociação em torno das cláusulas econômicas.

    A diretora de RH da Caixa levou a reivindicação ao conselho diretor do banco e prometeu dar um retorno, mas até às 19h de ontem não havia feito contato.

    Banco do Brasil - A direção do Banco do Brasil, em reunião com a Executiva dos Bancários, em Brasília, afirmou que não está disposta a interceder junto à Fenaban pela retomada das negociações, uma vez que não faz parte da comissão de negociação da Federação dos Bancos.

    Quanto às questões específicas, a direção do BB afirma que manterá o fórum permanente de debates sobre essas questões, mas que não pretende retomar as discussões agora. Além disso, a direção do banco continua ameaçando descontar os dias parados dos trabalhadores em greve. Essa postura foi considerada uma provocação pela Executiva Nacional dos Bancários.

    "Enquanto os banqueiros mantiverem a intransigência e o desrespeito à categoria e aos cidadãos que dependem de seus serviços, só resta aos bancários manter a greve", afirma o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino. "Os trabalhadores decidiram, em assembléia que reflete a vontade soberana da categoria, rejeitar a proposta feita em 8 de setembro. A greve começou no dia 15 e de lá para cá os banqueiros não marcaram nenhuma nova rodada de negociação, demonstrando sua disposição de radicalizar", completa o dirigente.

Fonte: Cláudia Motta - Seeb/SP